… pelo canto do olho reparou que ele vinha entre pés…
- Espera por mim!
Ela não respondeu. Ouviu, mas preferiu ignorar a exclamação. Estas palavras que outrora eram proclamadas por si, fez-lhe despoletar pensamentos passados. Talvez agora compreendesse através do seu sentimento de indiferença o que ele sentiu durante anos, talvez. Mas depressa limpou a possibilidade de arrependimento. Seguiu em frente mesmo não sabendo onde desejava ir.
Para ambos, mesmo não admitindo, era notório a energia envolvida no momento. A carga emocional era desmesurada. Conforme a distância entre eles aumentava, a energia crescia. Era expectável o contrário. Eles sabiam que essa energia não era visível, apenas a sentiam, e como tal, não os compremetiam.
Já em relação a ele, houve um déjà vu quando proferiu a exclamação. Baixou a cabeça com um olhar mortiço de respeito e esperou. Esperou sem saber porquê, mas tinha essa necessidade. Era o único gesto possível e aceitável para o momento.
… mas ainda assim, espreitou pelo canto do olho com esperança que ela recuasse ou que em última instância olhasse para trás... mas não.
... lá ia ela entre pés. A imagem dela ia diminuindo e ficando mais turva. Claro... ele via mal ao longe!
Claro... ele via mal ao longe!
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